Coluna FalaPE – Demonstração de força, mas com exageros

By 08/09/2021 - 00:00ColunaFalaPE

Jair Bolsonaro conseguiu exatamente o que ele queria nesse simbólico 7 de Setembro, Dia da Independência. Extremamente combalido por uma crise econômica desoladora, que ele não criou, mas que não conseguiu dar solução, e pela má gestão da saúde na pior pandemia que o país e o mundo já enfrentaram, o presidente da República quis passar a imagem de que está no jogo para 2022.

O ex-capitão conseguiu mandar uma mensagem clara à oposição e aos demais poderes constituídos, de que sua candidatura à reeleição e seu combalido governo têm apoio popular. Isso é inegável. Em todo o país, multidões marcharam pelas ruas levantando as bandeiras do Bolsonarismo e defendendo a pauta do presidente, por mais absurdos que alguns pontos dessa agenda parecem ser a qualquer pessoa com um pingo de raciocínio lógico.

Mas, como tudo que vem de Bolsonaro, o dia de ontem também passou do ponto do que é aceitável em eventos do tipo. Os manifestantes exageraram na dose. Começando pelo próprio presidente. Ainda em Brasília, Bolsonaro mandou, em discurso para uma multidão, que o presidente do Supremo Tribunal Federal, Luiz Fux, tomasse de conta dos seus ministros; em uma clara referência a Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso, que têm travado os principais embates contra o Bolsonarismo.

Novamente se viu em todo Brasil cartazes incitando um autogolpe e xingamentos ao STF, a instância máxima do Judiciário. Não precisa nem dizer que isso ultrapassa as chamadas quatro linhas da Constituição, que, a despeito do que garantem os bolsonaristas, foi mais uma vez desrespeitada. Além disso, mas em menor grau, é preciso destacar a polarização com o PT, do ex-presidente Lula, que lidera com folga todas as pesquisas presidenciais; em uma cruzada contra a “volta do Comunismo”. Em resumo, mais do mesmo. Mas com proporções maiores, tanto no volume de gente, quanto no tom.

DESAFIO – Em um desafio explícito ao Supremo Tribunal Federal, Jair Bolsonaro declarou abertamente que não respeitará “qualquer decisão” do ministro Alexandre de Moraes, incitando seus apoiadores contra a Corte. Bolsonaro xingou o magistrado de “canalha” e pediu sua saída diante de cerca de 125 mil pessoas, segundo a polícia militar, que o acompanhavam na Avenida Paulista nesse 7 de Setembro. “Qualquer decisão do senhor Alexandre de Moraes, este presidente não mais cumprirá. A paciência do nosso povo já se esgotou. Ele tem tempo ainda de pedir o seu boné e ir cuidar da sua vida. Ele, para nós, não existe mais! Liberdade para os presos políticos! Fim da censura! Fim da perseguição àqueles conservadores, àqueles que pensam no Brasil”, bradou, para delírio coletivo dos seus fiéis.

IMPEACHMENT – Alvo ferrenho do Bolsonarismo, o governador de São Paulo e pré-candidato do PSDB a presidente, João Doria, manifestou-se nessa terça-feira (7), pela primeira vez, pedindo o impeachment de Jair Bolsonaro. Segundo Doria, “Bolsonaro afrontou a Constituição”. A executiva nacional do PSDB se reúne na quarta para definir oposição ao governo federal e discutir a posição do partido sobre a abertura do impeachment. “Minha posição é pelo impeachment do presidente, depois do que ouvi hoje (ontem), ele, claramente, afronta a Constituição”, afirmou Doria, que multou Bolsonaro por aglomeração e por não usar máscara durante o ato em São Paulo.

AFRONTA – O prefeito do Recife, João Campos, criticou a postura do presidente Jair Bolsonaro de inflar a população com pautas antidemocráticas nesse feriado de 7 de Setembro. Nas redes sociais, o socialista avaliou que enquanto o país atravessa uma crise sem precedentes, “o Brasil assistiu hoje a mais uma afronta direta à democracia”. “O #7deSetembro foi transformado em episódio lamentável com um novo flerte com a ruptura institucional. Não vamos desistir do país que tantos ajudaram a sonhar e a construir. Os problemas precisam de soluções concretas, de lideranças que ajam com responsabilidade, com capacidade para ouvir e unir o Brasil em torno de um projeto democrático que renove a esperança”, pontuou.

ENTOCADO – O vereador Carlos Bolsonaro não participou dos atos em Brasília e em São Paulo ao lado do pai e presidente da República, Jair Bolsonaro, e seus irmãos, o senador Flávio Bolsonaro e o deputado federal Eduardo Bolsonaro. O UOL apurou que o motivo está relacionado ao fato das manifestações terem como foco um discurso inconstitucional contra oSupremo Tribunal Federal. Além disso, o alvo preferencial de críticas dos bolsonaristas é o ministro Alexandre de Moraes, responsável pelo inquérito que apura a existência de uma organização criminosa digital que atenta contra a democracia. Há algum tempo, os interlocutores mais próximos de Bolsonaro temem que o “02” seja alvo de alguma medida do STF.

O povo quer saber: com a demonstração de força que deu ontem, Bolsonaro consegue reverter a desvantagem nas pesquisas? Responda nos comentários…

1 Comcentário

  • Armando disse:

    No meu ver e entender depois do dia de ontem 7/09 o Bolsonaro deve cair ainda mais pois ele foi longe de mais em escolher esse dia especial pra fazer manifestações em afrontar o supremo

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