Coluna FalaPE – Geraldo nega novamente que concorrerá ao governo e aliados deflagram corrida pela vaga

By 20/08/2021 - 00:01ColunaFalaPE

O secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Geraldo Júlio, negou, novamente, ontem, que será candidato a governador no ano que vem. O posicionamento do ex-prefeito do Recife dividiu opiniões entre os aliados. Teve gente jurando de pé junto que GeJu não concorrerá mesmo. Outros acreditam que a negativa do socialista foi um recurso utilizado por ele para sair da vitrine e não ficar apanhando antes da hora. Uma coisa é fato: a declaração está gerando o maior bafafá nos bastidores; e nomes de eventuais substitutos começaram a aparecer.

Entre esses candidatos a candidato está um (ex?) político de vulto nacional, o ex-ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), José Múcio Monteiro. A favor de Zé Múcio está, principalmente, o fato dele ser o que mais une, do PSB a partidos mais de centro, passando pelo PT. É um agregador; por onde passou juntou em torno do seu nome. Para concorrer, Zé Múcio teria de se filiar ao PSB e ser o nome indicado pela sigla para encabeçar a chapa.

Nem mesmo quando concorreu e perdeu a corrida pelo Palácio do Campo das Princesas contra Miguel Arraes, no longíquo 1986, Zé Múcio entrou em conflito com o clã. Ele era amigo e conselheiro informal de Eduardo Campos, e foi ministro do TCU com Ana Arraes, mãe do ex-governador. Ana, por sinal, também teve seu nome lembrado na disputa. Mas a ministra não tem demonstrado interesse em voltar para a política.

No cenário nacional, Zé Múcio tem um plus a seu favor. O pré-candidato é amigo do ex-presidente Lula, que o indicou para o TCU. Portanto, dentro da Frente Popular, ele é o melhor nome depois de Geraldo, porque traz consigo o PT, partido que vai para majoritária do bloco de forças. Um mandato com Lula presidente e Zé Múcio governador, certamente, seria permeado de muita parceria política.

Para contrapor os nomes da deputada federal Marília Arraes e da prefeita de Caruaru, Raquel Lyra, que aparecem liderando as últimas pesquisas de opinião, o PSB, sem Geraldo no páreo, pode lançar mão de uma mulher para fazer frente às adversárias. E o nome cogitado é o da secretária estadual de Infraestrutura, Fernandha Baptista. Jovem engenheira, Fernandha também seria uma outsider, já que não é política de carreira.

Neste momento, Fernandha encontra-se no interior, fazendo entregas, ao lado do governador Paulo Câmara. De temperamento reservado, a secretária é egressa da Prefeitura do Recife, onde era do grupo de Geraldo Júlio. Mas, fontes palacianas dizem que ela se integrou facilmente ao time de Paulo. Fernandha também seria o fator novidade em uma disputa contra Raquel, por exemplo.

Ainda figuram na lista socialista velhos conhecidos do grande público: os deputados federais Tadeu Alencar, Felipe Carreras e Danilo Cabral. Os três são de origem eduardista, ocuparam funções de destaque nos governos de Campos, e já tiveram seus nomes no passado para uma majoritária. Tadeu, dizem, era o escolhido por Eduardo em 2014, mas não resistiu à fritura interna que sofreu dentro do próprio PSB. A avaliação é que o partido só caminhará com um deles se for para perder.

Apesar de tantas cartas na mesa, a Coluna FalaPE ficou com a impressão de que as constantes negativas de Geraldo realmente são uma estratégia para evitar exposição. O que, na opinião de alguns, é até errado, porque o ex-prefeito do Recife precisa tornar-se conhecido para uma eventual candidatura. Também é fato que o PSB não preparou ninguém para substituir Geraldo em 22. Tirar um candidato da cartola, sem Eduardo aqui para ajudá-lo, seria inimaginável até alguns anos atrás.

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