Depois de ser ameaçada por deputado bolsonarista, codeputada das JUNTAS, Jô Cavalcanti, decide acionar Comissão de Ética da Alepe e pede cassação do parlamentar

By 02/06/2022 - 10:48Pernambuco

Alberto Feitosa (PL) dirigiu a palavra em tom de ameaça à codeputada após críticas aos cortes do governo Bolsonaro em programas habitacionais

 

Um dia depois de ser ameaçada pelo deputado bolsonarista Alberto Feitosa, a codeputada das Juntas (PSOL) decidiu acionar a Comissão de Ética da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) para pedir a cassação do parlamentar por quebra de decoro. As Juntas também devem registrar um boletim de ocorrência contra o deputado e entrar com uma representação no Ministério Público pela ameaça. A codeputada não descarta a possibilidade de pedir proteção política, até porque essa não é a primeira vez que sofre esse tipo de violência por parte de Feitosa.

Durante a sessão desta quarta–feira (01/06), muitos parlamentares – como Teresa Leitão (PT), João Paulo (PT) e José Queiroz (PDT) – se solidarizaram à codeputada diante do ocorrido na sessão do dia anterior. Tony Gel (PSB) também criticou o tom do parlamentar e afirmou que não era prática do Legislativo esse tipo de conduta.

A ameaça de Alberto Feitosa a Jô Cavalcanti aconteceu na de terça-feira, 31 de maio, depois da codeputada, durante sessão remota, fazer críticas ao governo Bolsonaro por ter cortado verbas de programas habitacionais, potencializando as tragédias vivenciadas por muitas famílias que perderam casas e vidas devido as fortes chuvas que caíram em Pernambuco nos últimos dias.

Na sequência da fala da parlamentar, Feitosa saiu em defesa do presidente e, depois, fez alusão à arma de fogo que usa cotidianamente na Assembleia e como poderia usá-la. Dirigindo-se diretamente a Jô Cavalcanti, o deputado afirmou que a arma que estava ali não era para ser guardada. “A arma está aqui, na minha cintura, para ser usada, (para) quem tentar violar a minha integridade física, a integridade da minha família ou tentar invadir a minha residência. A senhora entendeu?”, disparou, acrescentando que “a arma foi feita para isso. Não foi feita para ser guardada” e que “arma não mata, quem mata são as pessoas”. Termina pedindo para a deputada “não ter ojeriza a arma.”

Violência política de gênero
A ameaça de Alberto Feitosa a Jô Cavalcanti é mais um caso de violência política de gênero ocorrida no Brasil, prática que vem crescendo diante de um governo federal que não só legitima, mas estimula a violência. Cada vez mais recorrente, o combate a constrangimentos, ameaças, chantagens, xingamentos, assédio sexual e desmerecimentos a mulheres na política vem sendo discutido de forma incisiva na sociedade civil organizada e nos diferentes âmbitos da política institucional.

A violência política contra mulheres acontece tanto em situações envolvendo violência sexual, quanto também em situações mais sutis ou veladas que podem envolver questionamentos sobre a vida privada, comentários sobre aparência física e forma de vestir, além de ameaças vindas pela internet ou de forma presencial.

Embora todas as mulheres envolvidas no âmbito político vivenciem a violência de gênero em diferentes escalas, é evidente a maior incidência de ameaças contra parlamentares negras. Em 2020, a deputada Renata Souza (PSOL-RJ) registrou queixa após ameaças de morte recebidas pelas redes sociais que faziam alusão ao assassinato de Marielle Franco, vereador eleita no Rio de Janeiro também pelo PSOL, brutalmente assassinada em 2018. Um crime político que até hoje não foi desvendado, não se sabe quem e por que mandaram matar Marielle.

A deputada federal Taliria Petrone (PSOL-RJ) também registrou ameaças de morte, que a mantiveram afastada durante um período do trabalho legislativo e que resultaram na necessidade de escolta policial. A parlamentar acionou a Organização das Nações Unidas (ONU) pedindo que as relatoras de direitos humanos da entidade cobrem explicações do governo brasileiro, que até então não se pronunciou a respeito.

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