Noite dos Tambores Silenciosos celebra luta do povo negro pela própria existência

 

Cerimônia no Pátio do Terço reverenciou a ancestralidade da população negra, num dos mais emocionantes momentos do Carnaval do Recife

 

No Carnaval da retomada, após um hiato de dois anos provocado pela pandemia de covid-19, uma das mais potentes manifestações da folia recifense – a Noite dos Tambores Silenciosos – teve um significado especial. Quando as luzes do Pátio do Terço, no Bairro de São José, se apagaram pontualmente à meia-noite da terça-feira (21), a 59° edição da celebração à ancestralidade também significou a luta do povo negro pela própria existência.

 

Neste ano foram 27 nações de maracatu de baque virado, algumas delas quase centenárias, como a Almirante do Forte, do bairro do Bongi, fundada em 1931. De Água Fria, na Zona Norte, veio a Nação Raízes de Pai Adão. Do Coque, na área central, a Nação de Oxalá. “Estar aqui depois desses dois anos tem esse significado de que a cultura negra existe, resiste e pede passagem”, diz Leu Simões, uma das coordenadoras do evento.

 

Uma tradição que começou com a devoção a Nossa Senhora do Rosário, santa católica branca que é padroeira da população negra, e derivou das irmandades religiosas criadas pelos negros no período colonial. No Recife, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos fica no Pátio do Terço, local onde havia intenso comércio de escravos. Não à toa é o lugar onde o povo negro celebra a luta dos ancestrais.

 

“A gente se encontra com nossos antepassados quando está aqui. Por isso sempre faço questão de vir”, disse a professora de dança Heloneide Fagundes. Segurando o estandarte do maracatu Sol Nascente, Chico Blau reforçou a luta pela memória das gerações anteriores. “É preciso, no presente, preservar as tradições dos antepassados”.

 

O desfile das nações começou ao cair da tarde da segunda-feira (20) e, pontualmente à meia-noite, veio o ápice da cerimônia, que é o apagar de todas as luzes, seguido pelo total silêncio, tanto dos tambores como do público. Depois, um rufar de meia hora para marcar o final da celebração.

 

CARNAVAL DO RECIFE – O Carnaval do Recife é um grande evento multicultural e com presença marcante de manifestações populares. São 44 polos, entre centralizados, descentralizados, comunitários e desfiles de agremiações, em uma programação que se estende por toda a cidade, reunindo atrações locais e nacionais, que celebram a volta do ciclo carnavalesco. Para a sua realização, a Prefeitura do Recife mobilizou parcerias com a iniciativa privada e mais de R$ 8 milhões foram captados de empresas, viabilizados por meio de quatro editais para captação de cotas de patrocínios. Os parceiros são AMBEV, Sports Entretenimento e Produção de Eventos, TIM e CVC. Toda a programação pode ser conferida no site www.carnavaldorecife.com.

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