Paulo Câmara: “Estamos conversando com o PT e com o PDT”

By 27/04/2021 - 12:37Pernambuco

Folha de Pernambuco – O governador Paulo Câmara admite as tratativas do PSB, partido ao qual é vice-presidente nacional, com o PT, mas não comenta publicamente sobre as especulações que envolvem seu nome na formação de uma chapa com o ex-presidente Lula, mantendo o discurso de foco no combate à pandemia. A entrevista do gestor pernambucano foi dada na tarde desta segunda-feira (26) ao programa CBN Total, da rádio CBN, em debate aos quais foram convidados também outros veículos de imprensa pernambucanos, incluindo a Folha de Pernambuco. Na ocasião, Paulo Câmara relembrou que o encontro com o ex-presidente Lula aconteceu “tão logo as suas sentenças foram anuladas pelo Supremo Tribunal Federal” e contou o que dois partidos acordaram: “esse é o momento de conversar para ajudar o Brasil a superar essa pandemia e 2022 se conversar sobre questões eleitorais, esse assunto ficará para um segundo momento e é o correto principalmente diante de tantos desafios que estamos vivendo”, disse.

O governador definiu o ex-presidente Lula como sendo “um ator muito importante em 2022, como seria em 2018, se tivesse tido a condição de disputar a presidência”. E, seguiu afirmando que o PSB não se eximirá de debater as eleições com todos os partidos do campo progressista, incluindo o PT, O PDT e outros partidos que fazem a Frente Popular. “Nós não concordamos com a forma com que o presidente Bolsonaro vem administrando o Brasil, e queremos em 2022, mudanças. Então quem estiver disposto a discutir essas mudanças conoscos, nós vamos discutir e vamos chegar ao denominador comum que é sobre quem apoiar e qual projeto seguir, tendo esse horizonte que é muito importante que o Brasil seja administrado a partir de 2023 de uma forma totalmente diferente do que está sendo administrado nos dias atuais”, afirmou Câmara.

Recentemente, em entrevista à coluna da jornalista Renata Bezerra de Melo, o presidente estadual do PDT e deputado federal Wolney Queiroz, assinalou que caso PSB e o PT estejam juntos em Pernambuco, o PDT estaria em outro palanque. A fala do presidente escancarou a insatisfação de aliados pedetistas nos bastidores desde que o PT e o PSB começaram a retomar o diálogo há algumas semanas. Questionado sobre a manutenção do PDT no palanque, o governador amenizou o tom das críticas dos aliados. “O PDT tem uma parceria com o PSB em Pernambuco e no Brasil quase todo. Em 2020 nós estivemos juntos em muitos municípios, em várias capitais. Nós tivemos um êxito eleitoral importante aqui no Recife, com o prefeito João Campos, a vice é do PDT, com a Isabella de Roldão. O PDT aqui é muito bem conduzido pelo Wolney Queiroz, nacionalmente é muito bem conduzido pelo Carlos Lupi, e nós estamos sempre conversando e vamos continuar conversando. Primeiro que não há ambiente, pelo contrário, nossas convergências são muito grandes”, explicou o governador de Pernambuco.

“Então vamos estar juntos com certeza conversando e em 2022 com certeza vamos estar do mesmo lado progressista que é o lado que quer ver o Brasil sendo administrado de uma forma diferente e que vê realmente que a forma atual com todos esses problemas enfrentando de pandemia a áreas fundamentais de meio ambiente, educação segurança sem ter avanços, sem políticas públicas concebidas, vendo o desemprego e a fome aumentando. Vamos estar juntos (PDT, PSB) por um Brasil melhor”, completou.

Dentro do PSB de Pernambuco, alguns interlocutores, como o prefeito do Recife, João Campos, e o secretário de Desenvolvimento Econômico, Geraldo Julio, já defenderam publicamente que o partido possa ter candidatura própria para as eleições presidenciais e que caso não consiga viabilizar um quadro, uma aliança com o PDT poderia ser conveniente. Outros parlamentares do PSB afirmam que o partido deveria investir apenas numa candidatura própria. Com a retomada das conversas com o PT, o governador foi perguntado sobre a possibilidade de uma divisão ideológica no partido para as eleições de 22 no Estado, já que importantes líderes socialistas tem entendimentos diferentes sobre o assunto. “Acredito que não, o PSB tem sempre um palco de muitas discussões internas, mas depois que isso é devidamente decidido, a unidade acontece e vai continuar a acontecer”, solucionou.

Reforma

Após as eleições municipais, o governador do Estado precisou organizar a estrutura administrativa do governo para acomodar aliados. Foram feitos ajustes em algumas secretarias e alguns aliados tentaram pleitear mais espaço no primeiro escalão. Apesar de ter solucionado alguns cargos, nos bastidores, ainda há cobrança e expectativas pela continuidade da conclusão da reforma.

“Nós estamos sempre conversando, estamos mais do meio do mandato. São ajustes sempre feitos no âmbito da estrutura do Estado, não falo de reforma, mas de ajustes e que dentro da lógica da política e da Frente que nos apoia, estamos sempre ajustando, olhando cada cenário, olhando cada participante desse processo. Então é um processo contínuo e permanente, que nós estamos conversando, seja eu diretamente quando há essa possibilidade, seja a Secretaria da Casa Civil, seja outros atores, a gente tá tendo um ambiente de muita colaboração e muita solidariedade dos partidos até pelo momento que estamos vivendo”, disse o governador Paulo Câmara sobre o assunto.

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.