Retomada das academias gera empregos em Pernambuco

A pandemia do novo coronavírus provocou consequências severas na economia brasileira. Quase 9 milhões de pessoas perderam o emprego no segundo semestre deste ano, segundo o IBGE, e 522,6 mil empresas encerraram as suas atividades até a primeira quinzena de junho devido a Covid-19. Um dos setores mais prejudicados foi o de academias, que ficaram fechadas durante 121 dias no Estado. Reabertas há aproximadamente um mês, os investimentos e o otimismo na recuperação econômica da área voltaram a crescer.

A OkaBox, academia de Crossfit localizada no bairro da Tamarineira, Zona Norte do Recife, tinha abertura prevista para março, porém a pandemia obrigou o empresário Augusto Albuquerque, dono do empreendimento, a mudar os planos. “Já estávamos preparados para começar o negócio, mas tivemos que esperar e nos adaptar aos novos protocolos de prevenção adotados pelo Governo do Estado. Mesmo fechado, tivemos que pagar aluguel, segurança e profissionais que já tinham sido contratados, então gerou um prejuízo que não contávamos”, afirmou o empresário. A OkaBox foi inaugurada no último sábado (29), mas já funciona desde o final de julho.

A alta possibilidade de contágio do novo coronavírus faz com que muitas pessoas fiquem receosas em frequentar o ambiente de academia. Aliado a isso, a restrição no número de praticantes de exercícios físicos para apenas um a cada 10m² limitou a contratação de profissionais. A OkaBox, por exemplo, emprega 10 pessoas, contudo o número poderia ser 50% maior se estivéssemos em condições normais, segundo Augusto Albuquerque. O avanço na flexibilização aumenta a expectativa por novos clientes e, consequentemente, gerar mais vagas.

A expectativa do setorcomecem a praticar exercícios físicos regularmente, aumentando o número de clientes nas academias. Uma das razões para esse otimismo é o ganho de peso durante o isolamento social. Um levantamento realizado por um grupo de pesquisadores das áreas de endocrinologia, psicologia e patologia apontou que quatro em cada dez pessoas engordaram durante a quarentena, com ganho médio de 2,8kg.

“As pessoas estão procurando praticar o exercício físico por um conjunto de fatores, dos quais podemos destacar a questão estética, pois o estilo de vida sedentário da quarentena combinado com a ansiedade, fez com que as pessoas buscassem fuga emocional na comida, aumentando o peso. Outro fator é que as pessoas estão mais preocupadas em não adoecer, e as atividades físicas contribuem nessa prevenção. Por fim, existe a utilização do exercício físico como terapia, se tornando aliado para combater os distúrbios psicológicos, que foram agravados durante o isolamento social”, analisou o profissional de educação física, Lucas Parizi.

Em Olinda, a Lighthouse inaugurou no início de agosto. Apesar do receio em começar um negócio durante a pandemia, a quantidade de clientes foi maior que o esperado. “A inauguração extrapolou todas as nossas expectativas, tivemos que comprar mais material porque não estávamos preparados para a quantidade de clientes. Um fato que nos chamou atenção foi de que mais da metade dos nossos alunos nunca praticaram o esporte, mostrando que a preocupação com a saúde aumentou devido ao coronavírus”, explicou o sócio e instrutor da academia, Gabriel Assunção.

Diferentemente da OkaBox, a academia olindense começou a ser construída após a permissão da construção civil no estado. Por causa da Lighthouse, mais de 60 pessoas foram empregadas em um período de instabilidade econômica. A abertura das academias em Recife e Olinda mostra a importância do investimento no setor neste período de fechamento de postos de trabalho. “Aproximadamente 50 pessoas estiveram envolvidas durante a construção da box. Além desses empregos temporários, também possuímos dez funcionários para atender nossos alunos. A expectativa é de que, continuando o processo de flexibilização e seguindo com os protocolos sanitários, possamos contratar mais cinco pessoas daqui um mês”, afirmou o sócio da academia, Lucas Labanca.

Folha de Pernambuco

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