Tratamento de glaucoma avançacom cirurgia de implante de stent

By 31/03/2022 - 17:32Pernambuco

Principal causa de cegueira no mundo, o glaucoma teve um grande avanço no tratamento com a cirurgia de implante de stent em pacientes com casos leves e moderados. A técnica é chamada de MIGS (minimally invasive glaucoma surgery, depois alterado para microinvasive glaucoma surgery, ou cirurgia de glaucoma microinvasiva, na tradução para o português) e funciona da seguinte maneira: um microdispositivo é introduzido por uma pequena incisão no olho para facilitar a drenagem e diminuir a pressão intraocular, que é o principal fator de risco do glaucoma.

Referência em oftalmologia, o Hospital de Olhos Santa Luzia (HOSL), na Zona Norte do Recife, habilitou recentemente dois dos seus proissionais (os oftalmologistas Natanael Figueroa e Hayana Rangel) para realizar o procedimento. A cirurgia não é capaz de reverter os danos na visão, mas consegue frear o avanço da doença.

O procedimento melhora o controle da doença e pode até mesmo diminuir o uso de colírios. Por ser menos traumático para o olho, garante um melhor pós-operatório para o paciente e uma recuperação muito mais rápida.

O oftalmologista Natanael Figueroa fala sobre as vantagens do procedimento. “Você está cortando e danificando menos o tecido. Todo procedimento cirúrgico você precisa cortar e causar um trauma na região. Então quando você diminui esse trauma, você tem melhores resultados, uma recuperação mais rápida e um resultado mais preciso”, afirma.

Formado em medicina pela Universidade de Pernambuco – UPE, ele possui residência médica em oftalmologia pela Fundação Altino Ventura – FAV e especialização em glaucoma clínico e cirúrgico pela Universidade de São Paulo – USP. O oftalmologista também é preceptor da residência HOSL, autor de capítulos de livros e publicações em revistas na área de Glaucoma e membro da Sociedade Brasileira de Glaucoma. O profissional ainda integra a direção do HOSL.

O oftalmologista destaca que é preciso ter conhecimentos específicos para realizar uma MIGS. “Você tem que ter uma experiência realmente grande. Apesar de ser um procedimento que é minimamente invasivo, é um procedimento muito especializado. É preciso ter sensibilidade muito grande, porque geralmente é coisa microscópica”, explica.

Ele ainda aponta como o tratamento cirúrgico avançou com o passar dos anos. “A cirurgia do glaucoma a gente fazia antigamente naqueles casos que tinham um prognóstico muito ruim. E hoje não, como você tem um trauma muito pequeno pro olho, você consegue intervir naqueles casos mais precoces, já tem como melhorar a circulação no nervo ótico e a pressão ocular sem fazer um procedimento tão traumatizante”, acrescenta.

O oftalmologista finaliza afirmando que apesar do glaucoma ser uma doença irreversível, é possível controlá-la. “Se você diagnosticar precocemente e adequadamente você consegue uma convivência com a doença, como ocorre com a hipertensão ou diabetes”.

Glaucoma e principais sintomas

Doença que se manifesta de forma silenciosa, o glaucoma é a principal causa de cegueira no mundo. Estima-se que 80 milhões de pessoas no mundo sejam portadoras de glaucoma, segundo dados da Associação Mundial de Glaucoma (WGA). O glaucoma não tem cura, mas o tratamento pode minimizar os danos à visão.

O Glaucoma é uma doença grave causada pelo aumento de pressão ocular, que pode ocasionar a perda de visão se não tratada corretamente. Em estágios iniciais, pode não apresentar nenhum sintoma. Em geral, quando os sintomas mais característicos aparecem, o paciente já apresenta cerca de 50% das células ganglionares atrofiadas. Tais sintomas podem ser: olhos vermelhos, lacrimejamento, desconforto com a luz (fotofobia), dor nos olhos, dor de cabeça.

Porém, o sintoma mais frequente é o chamado escotomas, caracterizado por manchas escuras no campo visual periférico. À medida que a doença avança, as manchas se intensificam, deteriorando cada vez mais a qualidade de visão do paciente.

Tipos de glaucoma

A doença pode ser classificada em quatro tipos mais graves e cada um deles exige tratamento e diagnóstico específicos.

Glaucoma de ângulo aberto:
Também conhecido como glaucoma crônico, é o mais comum em adultos, sendo responsável por cerca de 80% dos casos. Nesse tipo, o aumento da pressão intraocular é progressiva e assintomática em estágios iniciais, sendo necessário o diagnóstico rápido e preciso pelo médico oftalmologista.

Glaucoma neovascular:
Glaucoma de evolução rápida, que apresenta pressão intraocular muito elevada. Seu surgimento está associado a outras doenças, como a diabetes, que provoca lesões na retina que, se não forem tratadas com rapidez, provocam glaucoma neovascular.

Glaucoma congênito:
Uma das principais causas de perda de visão infantil e juvenil, o glaucoma congênito pode ser rapidamente diagnosticado, já que apresenta sinais claros, como: aumento do globo ocular com a córnea aumentada e turva, além de outros sintomas como: olhos vermelhos, olhos lacrimejantes e fotofobia (sensibilidade à luz). Esse tipo de glaucoma pode ser causado por um aumento de pressão intraocular na gestação ou durante os primeiros seis meses de vida e deve ser tratado e diagnosticado rapidamente.

Glaucoma agudo:
Quando o sistema de drenagem do olho possui alguma obstrução mecânica, damos o nome de glaucoma de ângulo fechado. Esse subtipo está bastante associado ao glaucoma agudo. É uma emergência clínica que precisa ser tratada dentro de 4h a 6h após após o início da crise, sob risco de perda de visão irreversível. Com o pico abrupto de pressão intraocular, o paciente apresenta dor aguda, que, por vezes, pode causar crises de náuseas e vômitos.

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