
O governador Paulo Câmara decretou, ontem à tarde, um novo lockdown em Pernambuco, confirmando o furo de reportagem trazido pela Coluna Fala PE ainda na madrugada do último sábado. Nossa reportagem tinha a informação já na tarde da sexta. Mas fez o dever de casa e checou com as fontes antes de tornar pública uma informação tão relevante para todo o estado. E é assim que nosso portal trabalha: fazendo o bom jornalismo, sempre em prol da população e dando a nossa contribuição para municiar os pernambucanos dos fatos.
E por falar nos pernambucanos, não há o que eles fazerem agora, a não ser respeitar o que determina o Governo do Estado. Hoje, nossa coluna vem em forma de mais que um pedido, vem em forma de um apelo. Por favor, respeitam as regras, não aglomerem, fiquem em casa o máximo que puderem. Além disso, respeitem as normas sanitárias usando máscaras e higienizando as mãos com álcool em gel sempre que possível.
Paulo Câmara, na nossa opinião, acertou mais uma vez ao decretar, como ele preferiu chamar, uma quarentena mais rígida. Deu todos os passos no final de semana dando conta de que faria isso, quando deu incentivos ao empresariado. Essa questão, por sinal, foi o que fez o socialista anunciar apenas hoje o lockdown, que começa a partir de quinta-feira (18). O lobby forte do setor, inclusive, foi o que assegurou, dizem nos bastidores, a inclusão de alguns segmentos no rol dos serviços essenciais, a exemplo de lojas de veículos.
Muita gente reclamou a não inclusão de igrejas nos serviços essenciais. Mais uma vez acertou o governador. Não está proibido ao cidadão professar sua fé. O que não pode é a aglomeração das missas e dos cultos. A mesma lógica, portanto, aplicada para competições esportivas, incluindo aí os jogos de futebol. É ruim, é difícil, mas não há outra saída. Ou é lockdown ou é colapso total. E digo mais: se não forem respeitadas as regras, é bem capaz de o governador ter de esticar o fechamento.
NÚMEROS CRUÉIS – Para reforçar a necessidade de lockdown, nada melhor do que os números. Porque contra fatos não há argumentos. Segundo o governo, há cinco dias, Pernambuco vem internando mais de 100 pessoas em leitos de UTI, representando uma grande demanda. Quem apresentou o balanço foi o secretário de Planejamento, Alexandre Rebelo. “Nós nunca tivemos tantas pessoas internadas em leitos públicos de UTI desde 12 de março de 2020. Foi por esse motivo e pela enorme pressão sobre o sistema de saúde do Estado que o Governo de Pernambuco decretou a quarentena”, lamentou.
DELIVERY PODE – Já o procurador-geral do Estado, Ernani Medicis, detalhou as atividades com serviços suspensos e outras que continuarão funcionando no Estado durante o período de “quarentena”. O secretário esclareceu, entre outros pontos, que os serviços de delivery de qualquer produto ou mercadoria estão autorizados. Medicis informou ainda que consultórios médicos, odontológicos, clínicas e hospitais, laboratórios e demais estabelecimentos relacionados à área de saúde deverão observar a portaria do secretário de saúde, uma vez que serão divulgadas várias restrições relacionadas a esse tipo de prestação de serviço.
ADJETIVOS – Pífia, incompetente, atrasada e devagar são só alguns dos adjetivos que podem ser usados para classificar a gestão do general Eduardo Pazuello no Ministério da Saúde. Nunca, jamais e em tempo algum se poderia imaginar que, em um governo de pouco mais de dois anos, no meio da pandemia mais devastadora em 100 anos, um único presidente teria quatro ministros da Saúde. Isso mesmo, quatro ministros da Saúde! Pazuello sai esgotado, sem conseguir comprar vacinas nem conter o avanço do vírus. Sai pela porta dos fundos da história.
CORAJOSO – O substituto de Eduardo Pazuello será o presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia, Marcelo Queiroga, que, ao contrário do seu antecessor, é médico. Aliás, um profissional respeitado no seu meio e na política. O Centrão o adora. Medo! Independente de qualquer coisa, pode-se dizer que Queiroga tem coragem. Topou assumir a Saúde em um momento extremamente crítico e sem sinal de melhoras. Nós torcemos que dê certo. Que Deus o ilumine, que Bolsonaro o deixe trabalhar e que consigamos sair das cordas no combate ao coronavírus. Oremos!
O povo quer saber: o lockdown em Pernambuco vai durar só dez dias mesmo?
Por Fernanda Maria Negromonte, Cientista Política com ênfase em Relações Internacionais pela UFPE, membro da Equipe FalaPE.