
O PIPA conquista o Good Start Challenge (GSC), recebe no total € 250 mil, cerca de R$ 1,5 milhão de investimento do programa internacional e mais € 250 mil como aporte privado, o que totaliza € 500 mil, o equivalente a R$ 3 milhões em investimentos. A meta é alcançar 1 milhão de famílias até 2035.
. Programa funciona de forma híbrida, com primeira interação presencial e acompanhamento contínuo à distância, via whatsapp, videochamadas, conteúdos personalizados para a promoção do bem-estar de mães e pais de crianças na primeira infância que vivem em situação de vulnerabilidade social e econômica, com uma diretriz: a tecnologia deve ampliar a capacidade humana da equipe, não substituí-la;
. Iniciativa foi vencedora por comprovar, entre outros aspectos, agilidade em implementar mudanças para aprimorar sua tecnologia social sem perder a consistência com seus valores e objetivos centrais;
. O Programa hoje está presente em 24 municípios de cinco estados do Nordeste: Pernambuco, Alagoas, Bahia, Ceará e Rio Grande do Norte.
. Análises de impacto mostram efeitos positivos da intervenção na mãe (ou adulto responsável) e na criança.
Uma solução criada em Pernambuco para apoiar mães e cuidadores de crianças pequenas foi reconhecida entre as vencedoras do Good Start Challenge, desafio internacional que reuniu mais de 1000 iniciativas de diferentes países em busca de novas formas de melhorar o bem-estar de quem cuida da primeira infância, fase que vai até os 6 anos. Entre as organizações premiadas, o Instituto Primeira Infância Plantar Amor (PIPA) foi o grande vencedor brasileiro. O PIPA atua há oito anos com famílias e desenvolvimento infantil. Com a vitória, o Instituto recebe um aporte de € 250 mil, cerca de R$ 1,5 milhão, para preparar sua metodologia para uma escala nacional. Juntamente com esse valor, o instituto recebeu um segundo investimento de € 250 mil como aporte de um empresário da região. A meta é usar esses recursos, que somam cerca de R$ 3 milhões de reais, para continuar investindo no aprimoramento da tecnologia social e alcançar 1 milhão de famílias brasileiras até 2035.
A proposta do Programa PIPA parte de um pressuposto ainda pouco presente nas políticas voltadas à primeira infância: para cuidar bem de uma criança, é preciso olhar também para as condições de quem cuida dela. O programa atua com questões atuais e desafiadoras da parentalidade em todo o país, principalmente entre aqueles que vivem em situação de maior vulnerabilidade: sobrecarga materna, saúde mental dos adultos responsáveis e falta de redes de apoio – aspectos que podem impactar diretamente o desenvolvimento infantil.
As evidências mostram que quando os adultos se mostram disponíveis, afetuosos e responsivos, a criança constrói uma base segura para o desenvolvimento integral do bebê e da criança. As primeiras relações de afeto moldam ativamente as conexões neurais e estruturam a arquitetura cerebral em formação. Esse estímulo positivo impulsiona de forma integrada as competências físicas, socioemocionais, cognitivas, motoras e de linguagem.
“Por isso, ao cuidarmos de quem cuida, estamos colocando a criança e seu desenvolvimento no centro de nossas ações. Nossa experiência mostra que cuidar do bem-estar do cuidador beneficia a toda a famílias, mas, sobretudo, protege aqueles na primeiríssima infância, que vai até os 3 anos”, diz Rogério Morais, diretor-executivo do PIPA.
Só no Nordeste, mais de 3 milhões de famílias vulneráveis têm crianças de 0 a 6 anos. Dessas, 74% são chefiadas por mães solo, enfrentando um cotidiano marcado por pobreza e insegurança alimentar. É nesse contexto que o PIPA atua: ouvindo, orientando e conectando essas mulheres a quem pode ajudar.
O foco primordial dos novos investimentos será fortalecer a tecnologia, a produção de evidências, o monitoramento, a formação de lideranças e os novos testes de implementação. O objetivo é que o método construído com famílias pernambucanas chegue a outros territórios sem depender só da capacidade de atendimento direto do Instituto.
Duas medições comprovaram que mães que participam do programa passam a saber o que é e praticar a maternidade responsiva (UFPE) e que crianças que estavam em nível de alerta ou abaixo do padrão de desenvolvimento para a idade, 72% delas tiveram avanços no desenvolvimento em ao menos um domínio (Escala ASQ-3).
“É um reconhecimento que tem um peso enorme para nós, principalmente porque veio acompanhado de um processo muito sério de revisão do nosso trabalho. Testamos caminhos, olhamos para as evidências, revimos o modelo e discutimos como fazer o PIPA chegar a mais famílias sem perder a qualidade do cuidado”, afirma Rogério Morais, diretor-executivo do PIPA.
O Programa PIPA na prática
Criado no Recife (PE) pelo Instituto Primeira Infância Plantar Amor (PIPA), com apoio técnico do Tempojunto, o Programa PIPA funciona como uma linha direta entre mães de crianças na primeira infância (desde a gestação) e uma rede de apoio pronta para atendê-las. A ideia é simples e urgente: garantir que cada uma delas saiba que não está sozinha. O programa opera por meio das Estrelas Guias, profissionais que acompanham as mães de perto, conversam, entendem a situação de cada uma e fazem a ponte com terapeutas, pedagogos, psicólogos e outros especialistas. O modelo funciona de maneira híbrida, combinando um primeiro contato presencial com acesso contínuo por WhatsApp, videochamadas e conteúdos personalizados para o acompanhamento do bem-estar materno, com articulação do acesso a especialistas quando preciso. A tecnologia amplia o alcance, mas preserva o que o instituto considera central: uma pessoa do outro lado da conversa.
A cada dois meses, as famílias recebem em mãos a Caixa PIPA: um kit com objetos para o desenvolvimento da criança, um livro para leitura compartilhada e um brinquedo que aproxima mãe e filho. Ler e brincar também são formas de cuidar, e de reduzir o estresse que muitas dessas mulheres enfrentam diariamente.
Além disso, o programa oferece encontros formativos híbridos que ampliam o repertório das famílias sobre desenvolvimento infantil, parentalidade e autocuidado. As apresentações, orientações, atividades e materiais são baseadas numa metodologia que contempla tanto o bem-estar da mãe ou cuidador quanto as etapas de desenvolvimento do bebê e da criança.
Hoje o Programa PIPA está presente em 24 municípios de cinco estados do Nordeste: Pernambuco, Alagoas, Bahia, Ceará e Rio Grande do Norte. O desenho de escala apresentado ao Good Start Challenge parte de um universo de 9,4 milhões de famílias de baixa renda com crianças de até 6 anos inscritas no Cadastro Único, com foco inicial em gestantes e mães de crianças de até três anos.
O processo do Good Start Challenge
O Good Start Challenge é liderado pela Van Leer Foundation, executado pela Challenge Works e apoiado pela Fundação FEMSA, pela Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal e pela Fundação LEGO.
Das mais de 1000 iniciativas, inscritas no desafio, foram selecionadas 22 finalistas de nove países. Cada um deles recebeu € 50 mil para para serem investidos nas mudanças necessárias identificadas pelos especialistas. No caso do programa de parentalidade do PIPA, o desafio foi orientado por uma pergunta: a metodologia poderia crescer sem perder qualidade?
Para conseguir responder a essa pergunta, foram feitas pesquisas qualitativas – com uma grupo focal de participantes que aderiram ao programa e um outro grupo que não prosseguiu com os atendimentos. Além desses grupos, o PIPA contou com respaldo acadêmico. Um segundo estudo da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) analisou 208 conversas de WhatsApp entre mães e Estrelas Guias e identificou relatos de mulheres que se sentiam menos sozinhas, mais acolhidas e emocionalmente seguras, com maior compreensão sobre o desenvolvimento infantil e mais confiança para lidar com o cuidado.
Como resultado dessas escutas e análises, as estrelas guias, as agentes responsáveis pelo atendimento direto com as famílias passaram a adotar uma abordagem inicial mais humanizada, com entrega de cartão de apresentação com foto da cada agente que seria responsável por cada família, vídeo que explica o propósito desse acompanhamento, mudança no roteiro de sensibilização com mais foco na mãe e aprofundamento no conhecimento sobre as famílias. O piloto trouxe validação do novo processo de sensibilização, com resultados expressivos já no primeiro mês do grupo analisado. A taxa de agendamento para o primeiro atendimento online chegou a 79%, representando quase 4 vezes o resultado médio histórico do programa, de 20%.
Outro experimento levou o modelo para fora da equipe original. Em parceria com a Prefeitura de Caruaru, 19 assistentes sociais foram capacitadas para aplicar a metodologia, e 92% das mães atendidas relataram satisfação com o acompanhamento. O resultado comprovou a viabilidade do PIPA quando executado por profissionais de fora da organização, abrindo caminho para a estratégia de expansão.
“Não há como proporcionar um bom começo de vida para as crianças sem ignorar aqueles que cuidam delas. A solução vencedora que celebramos hoje reflete o trabalho ao qual nos dedicamos diariamente, que é cuidar da primeira infância, e estamos ansiosos para ver o que o vencedor brasileiro, o Instituto PIPA, conquistará daqui para a frente — no Brasil e além”, diz Ana Maria Drummond, presidente executiva da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, única organização brasileira que apoia a iniciativa.
Para alcançar 1 milhão dessas famílias até 2035, a estratégia é descentralizar a metodologia, para que ela seja implementada por diferentes atores, como governos municipais e estaduais, e integrada a estruturas de atendimento que já chegam a essas famílias.
A organização também desenvolve soluções de inteligência artificial para apoiar a gestão e personalizar o acompanhamento, com uma diretriz declarada: a tecnologia deve ampliar a capacidade humana da equipe, não substituí-la. A conquista acontece no ano em que o PIPA completa oito anos e trabalha na implantação de uma nova sede.
Algumas das falas de mães e pais atendidos pelo PIPA:
“O PIPA me acompanha desde minha primeira filha. Me orientou, meu deu o rumo. Sei como observar os marcos de desenvolvimento, como estimular e continuo recebendo ajuda pra tudo o que tenho dúvida. Considero Ester, minha estrela guia, uma amiga”, Gleyce Kelly
“Tive uma gravidez de risco por conta da minha idade. Todo o acompanhamento foi bem esclarecedor. Você não se sente sozinha. Eu tenho que agradecer. Minha maternidade teria sido outra não fosse essa minha estrela guia”, Fabiana Dias
“É uma ação que ajuda você a ter uma dinâmica com seu filho dentro de casa: uma brincadeira, uma leitura…inserir seu filho dentro da literatura é muito bom”, Gracilândio Alves
“Até para marcar pediatra pros meus filhos mais velhos, a minha estrela guia me ajudou”, Renata Barbosa
Sobre o Good Start Challenge
O Good Start Challenge foi criado para identificar e desenvolver soluções capazes de melhorar o bem-estar de mães, pais e cuidadores de bebês e crianças pequenas, sobretudo em contextos de vulnerabilidade. Mais de mil iniciativas participaram, e 22, de nove países, chegaram à fase final. Cada finalista recebeu € 50 mil ao longo do processo, e as organizações vencedoras foram selecionadas para um aporte adicional de € 200 mil. O desafio é liderado pela Van Leer Foundation, executado pela Challenge Works e apoiado pela FEMSA Foundation, pela Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal e pela LEGO Foundation.
Sobre o Instituto Primeira Infância Plantar Amor (PIPA) é uma organização brasileira criada no Recife e dedicada à primeira infância. Há oito anos, desenvolve soluções voltadas ao apoio às famílias, à orientação parental, ao desenvolvimento infantil e ao bem-estar de mães e cuidadores, partindo do entendimento de que as condições de quem cuida também fazem parte das condições em que uma criança cresce.
Sobre a Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal trabalha pela causa da primeira infância com o objetivo de contribuir para o desenvolvimento pleno de todas as crianças brasileiras de até 6 anos, abraçando as características étnico raciais, territoriais e as múltiplas vivências do seu dia a dia. Para isso, atua na ativação da sociedade sobre a importância da primeira infância e no fortalecimento de políticas públicas que impactam positivamente a vida das crianças e de suas famílias, com foco na promoção da educação infantil de qualidade, no fortalecimento dos serviços de parentalidade e na avaliação do desenvolvimento infantil.
Sobre a Fundação Van Leer: é uma organização holandesa independente que atua globalmente para promover sociedades inclusivas, onde todas as crianças e comunidades possam prosperar. Reunimos pessoas com diferentes perspectivas e as apoiamos na conquista de impactos em larga escala. Nosso apoio envolve uma combinação única de financiamento, redes de contato, educação executiva, assistência técnica e conhecimento.
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