
As Prefeituras do Recife e de Nantes, na França, dão mais um passo na parceria que vem sendo estreitada ao longo das duas últimas décadas. A cooperação internacional, iniciada em 2003, e considerada uma das relações institucionais mais longevas da capital pernambucana no campo da política urbana, ganha mais um capítulo no mês de maio, quando haverá o primeiro encontro após a assinatura do segundo acordo de Facilidade de Financiamento das Coletividades Territoriais Francesas (FICOL) entre as duas cidades, com verbas oriundas da Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD) e aportes de € 2,2 milhões, o que equivale a R$ 13,9 milhões, no centro da cidade. A missão é capitaneada pela Secretaria de Relações Institucionais (SRI) da capital pernambucana, pelo Gabinete do Centro do Recife e pela agência ARIES e a participação da Secretaria de Cultura do Recife, do Gabinete de Inovação Urbana do Recife (GIURB) e da Secretaria da Mulher.
Os investimentos serão aplicados na reabilitação urbana, inclusão social e transição ecológica da região onde está inserido o Pátio de São Pedro e incluem requalificação de calçadas, melhorias na acessibilidade e a valorização do espaço público. O projeto atual sucede o primeiro FICOL, que teve como fruto a experimentação urbana VUCO (Viver o Urbano Caminhando e Ocupando), nas proximidades da Praça do Diário, que também focou na mobilidade urbana, segurança e inclusão social.
O encontro acontece entre os dias 24 e 30 de maio, quando uma delegação oficial do Recife estará em missão em Nantes para troca de experiências entre os quatro Grupos de Trabalho que acompanham o FICOL, com eixos que abrangem Experimentação Urbana; Ensino, pesquisa e formação; Digital, inovação e negócios e, por fim, Cultura, memória e economia criativa. Participam da missão paradiplomática membros das Secretarias da Mulher, Cultura, do Gabinete do Recentro e também de Inovação Urbana.
Na comitiva, que vai retribuir a mais recente visita feita pelos franceses à capital pernambucana, no último mês de outubro de 2025, a secretária de Cultura, Milu Megale, desembarcará importantes temas e tratativas referentes, por exemplo, a iniciativas comuns de fomento à economia criativa e a experiências de celebração da memória no espaço público. “Nantes foi um porto importante: o mais estratégico da França, para o tráfico de escravizados. Recife, por sua vez, foi o terceiro porto do Brasil, o quinto maior das Américas. Essa é uma história que os franceses contam muito bem, com espaços estruturados de memória, como o Museu da Escravidão. Temos muito a pensar sobre a nossa própria realidade”, diz a gestora.