Pré-candidata, Professora Ninha precisa agora precisa explicar o próprio histórico

16/04/2026 às 15:36h Redação FalaPE

A professora Ninha decidiu se apresentar como pré-candidata a deputada estadual. Lançou-se ao lado de João Campos. Mas a política tem dessas ironias pouco sutis: mal deu o passo à frente, o passado tratou de puxá-la pelo colarinho, em um momento dos mais inoportunos.

No dia seguinte ao anúncio, Gravatá amanheceu tomada por uma notícia que correu rápido. O que estava em segundo plano veio para o centro do debate, e a trajetória da ex-secretária passou a ser examinada com o mesmo rigor que o discurso que ela própria sustenta costuma exigir dos outros.

Veio à tona a existência de um inquérito civil, aberto pela 1ª Promotoria de Justiça de Gravatá, que investiga possíveis irregularidades durante sua gestão à frente da pasta. O procedimento, de nº 2024/2261000473, teve origem em apontamentos do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE).

O caso gira em torno de um contrato robusto, no valor de R$ 1.999.000,00, destinado à implantação de um sistema de videomonitoramento nas escolas do município. Ocorre que, conforme relatório de vistoria do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE), não foram identificadas câmeras nem qualquer outro tipo de sistema de segurança nas unidades inspecionadas.

Ou seja, há suspeita de que o dinheiro foi pago, mas o serviço não foi entregue.

Vereadora de primeiro mandato, Iranice Batista de Lima, a Ninha, ainda ensaia seus passos na política local, com atuação discreta, limitada capacidade de articulação e um eleitorado enxuto. Ainda assim, o episódio provoca evidente desconforto. Isso porque, na tribuna da Casa Elias Torres, sustenta um discurso de moralidade rígida, ao mesmo tempo em que sua própria gestão à frente da Secretaria de Educação passa a ser submetida ao crivo dos órgãos de controle.

Na Câmara, Ninha busca projetar a imagem de uma vereadora vigilante, de fala firme, sempre pronta a apontar falhas da gestão e a ocupar o espaço da moralidade pública. É a crítica frequente, o tom incisivo, a cobrança constante. O problema surge quando o foco muda de direção. À medida que seu passado recente entra no radar dos órgãos de controle, a narrativa construída passa a ser confrontada por elementos concretos que colocam em xeque o discurso adotado.

Vale registrar que o TCE-PE já condenou Ninha a devolver a quantia de R$ 256.097,80 aos cofres públicos, por acúmulo irregular de três vínculos remunerados como secretária municipal do município de Gravatá e professora efetiva em Gravatá e em Chã Grande, em total desacordo com a Constituição Federal.

O episódio recente, portanto, não é apenas um revés pontual, mas um elemento que reposiciona o debate. Mais do que intenções futuras, a política cobra coerência com o passado. E, nesse aspecto, o timing da exposição, ainda que desfavorável, apenas antecipou um exame que, mais cedo ou mais tarde, seria inevitável.


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